Arteterapia com autistas

Fotos do Congresso em Natal - Apresentação - Bolinhas de cristal - Arteterapia com autistas



Apresentação do tema: Bolinhas de cristal - Arteterapia com autistas


Existem concepções na Ciência que consideram anormalidades na percepção sensorial dos autistas, como sendo base dos principais sintomas do transtorno. Neste contexto, focamos o trabalho na percepção tátil em Arteterapia com autistas, propondo o experimento com um recurso expressivo: “as bolinhas de cristal”, para proporcionar aos alunos experienciarem possibilidades de ampliação de novos insights, de um novo aprendizado experiencial, dando atenção ao processo: contato, timing e gradação do experimento.




 

 

 

Palestra - Arteterapia com TEA - Transtorno do Espectro Autista na Belas Artes



Apresentação do Trabalho – Arteterapia com TEA –Transtorno do Espectro Autista
no Seminário “A Constituição do Sujeito e a Educação Inclusiva”
Data: 07 e 08 de novembro de 2012

Local: Centro Universitário Belas Artes

Realização– Central de Extensão – Programa Arte e Inclusão

Cidade: São Paulo - SP
Palestrante:Marcieli Cristine do Amaral Santos
Arteterapeuta da ABADS, Pianista, Pós Graduada em Marketing, Bacharel em Comunicação Social.


O trabalho “Arteterapia com TEA –Transtorno do Espectro Autista” teve como objetivo descrever algumas atividades de Arteterapia com crianças e adolescentes com TEA, entre 7 e 22 anos, na Escola de Educação Especial ABADS - Associação Brasileira de Assistência e Desenvolvimento Social.

A utilização da Arteterapia pode beneficiar esta populaçãofocando o trabalho no nível Sensório/Motor, propondo a experiência dos potenciais internos de ação, utilizando recursos artísticos como canais expressivos explorando as “funções de contato” – olhar, escutar, tocar, falar, mover, sentir, cheirar, para ajudar a intensificação do contato consigo mesmo, com os outros e com o mundo, bem como na melhoria do nível de comunicação, e expressividade.


 
 
 
 
Projeto - Gêneros Musicais

Frevo



Música utilizada: Balancê

Cantora: Gal Costa



O frevo é um ritmo musical e uma dança brasileiros com origens no estado de Pernambuco misturando marcha, maxixe e elementos da capoeira.


A palavra frevo vem de ferver, por corruptela, frever, que passou a designar: efervescência, agitação, confusão, rebuliço; apertão nas reuniões de grande massa popular no seu vai-e-vem em direções opostas, como o Carnaval, de acordo com o Vocabulário Pernambucano, de Pereira da Costa.


::A SOMBRINHA - Outro elemento complementar da dança, o passista à conduz como símbolo do frevo e como auxílio em suas acrobacias. A sombrinha em sua origem não passava de um guarda-chuva conduzido pelos capoeiristas pela necessidade de ter na mão como arma para ataque e defesa, já que a prática da capoeira estava proibida.

Este argumento baseia-se no fato de que os primeiros frevistas, não conduziam guarda-chuvas em bom estado, valendo-se apenas da solidez da armação. Com o decorrer do tempo, esses guarda-chuvas, grandes, negros, velhos e rasgados se vêm transformados, acompanhando a evolução da dança, para converter-se, atualmente, em uma sombrinha pequena de 50 ou 60 centímetros de diâmetro.



Utilizamos como símbolo o guarda-chuva.





1o. Encontro


Parte A - Ouvimos a música


Parte B - Mostrava o guarda-chuva e pedi para eles desenharem


Parte C-

Os alunos abriram as forminhas de doces e pintaram de várias cores.

Alguns alunos precisaram de auxílio na abertura da forminha e no pintar.


Objetivos:

- Concentração

- Paciência

- Coordenação motora

-Socialização

-Comunicação

- Cores - pareamento

- Expressão corporal











Outra turma - pintaram o guarda-chuva em grupo




Parte D - Os alunos dançaram com o guarda-chuva








2o. Encontro


Parte A - Ouviram a música

Parte B- Os alunos colaram as forminhas no guarda-chuva ( papel craft)








Os alunos colaram as forminhas no guarda-chuva pintado






Parte C

- Dançaram frevo com o guarda-chuva





Massinha de modelar
A Arteterapia sempre envolve algum tipo de ação. “O fazer artístico provê ainda da oportunidade de em ação nos percebermos e entrarmos em contato com conteúdos antes não contatados, experimentando novas possibilidades de integração, expressão e transformação, pois, na arte, novas possibilidades podem ser experienciadas e não só imaginadas. Um novo comportamento, uma nova forma de mover-se, de expressar-se, um novo modo de organizar e reorganizar percepções: tudo isso pode ser potencialmente criado e vivido em ação.” (CIORNAI, 2004, p.73). Sabendo desses benefícios proporcionados pela Arteterapia é que exemplificamos alguns trabalhos com crianças e adolescentes autistas.
Plástico Bolha na construção de uma bola
Para desenvolver o trabalho com autistas, escolhemos a Arteterapia Gestáltica, por acreditar que “a criatividade está intrinsecamente conectada com os processos de vida, e que a habilidade de expressão por diferentes linguagens verbais e não-verbais é um potencial natural de todos os seres humanos”.  (Ciornai, 2004, p.15)
       A Arteterapia Gestáltica é um modo de usar recursos artísticos em e como terapia, como uma compreensão do crescimento das pessoas e do trabalho terapêutico, fundamentada na Gestalt-terapia. É uma abordagem processual no qual tanto o fazer da arte quanto o processo de elaboração e reflexão sobre o que é produzido são considerados como tendo potencialmente valor terapêutico. (Ciornai, 2004)
Ciornai (2004, p.15) diz que os “arteterapeutas gestálticos funcionam como guias, facilitadores e companheiros de busca, sugerindo experimentos que possam ajudar e revelar realidades interiores e descobrir novos caminhos e direções.”
A arteterapia Gestáltica caracteriza-se por ser uma terapia experiencial que visa a expansão de awareness mediante:
- a mobilização energética dos níveis sensorial, emocional e cognitivo de funcionamento humano que emergem pela experiência presente;
- as percepções e as possibilidades de transformação que se vislumbram e se experienciam nesse vivido e partir dele;
- a compreensão e o insight que brotam tanto do vivido quanto das reflexões sobre esse vivido. (Ciornai, 2004, p.54)
Os objetivos da Arteterapia com autistas são:
·         Propiciar “awareness” – uma conscientização não só no nível mental e cognitivo, mas organísmica, do organismo como um todo, no e por meio do vivido.
·         Ajudar a intensificação do contato do indivíduo consigo mesmo, com os outros e com o mundo através das nossas “funções de contato” – olhar, escutar, tocar, falar, mover, paladar, cheirar.

Mosaico de EVA picotado

·         Trabalhar o sensorial e a atividade motora, focalizando a liberação de energia por meio da ação e do movimento, estimulando e permitindo a descarga energética que emerge pela experiência presente.
·         Estimular técnicas e materiais que propiciem o  bater, jogar, socar, pressionar, alisar, deslizar, pingar, etc.

Areia colorida em uma caixa de madeira

·         Aumentar a iniciativa e a espontaneidade no processamento plástico.
·         Incentivar interação social.
·         Incentivar o autorreforço.

Bibliografia
CIORNAI, Selma (org). Percursos em Arteterapia – Arteterapia Gestáltica, Arte em Psicoterapia, Supervisão em Arteterapia. São Paulo: Summus Editorial, 2004.
   



Arteterapia com autistas - bolas de cristais


Como estou trabalhando a parte sensório motora dos alunos, sempre estou procurando materias novos, diferentes texturas para eles experienciarem.

Materiais:
Bolinhas de cristais (bolinhas de gel)
caixa de plástico ou de madeira - para manuseio
pote de plástico
garrafinhas plásticas transparente

Objetivo:



As bolinhas foram utilizadas como experimento ou como recurso para tornar viável um experimento.

O objetivo foi criar novas experiências enriquecendo as com novas perspectivas, novos olhares, novas luzes, novos ângulos de visão.


O experimento é sempre uma aventura, uma proposta a ser explorada.



Bolinhas secas


Bolinhas mergulhadas na água


Bolinhas na água para crescer



Bolinhas já crescidas


Observações:
Os alunos com mais comprometimento:
- brincaram com a bolinha na caixa, de um lado para outro e de maneira intensa
- amassaram as bolinhas
- na medida que ia dando os potes menores para pegar as bolinhas com as mãos e misturar na caixa, faziam de forma intensa e rápida ou jogavam o pote com as bolinhas de uma vez só
-jogaram a caixa com as bolinhas no chão e acharam muito engraçado
- exploraram o pote com as bolinhas dentro e balançavam de um lado para o outro
- muita brincadeira

Aluna amassa as bolinhas e dá risada



Aluna gostou de amassar as bolinhas
Aluno tentando amassar as bolinhas



Aluno brinca com as bolinhas no pote















Aluno gosta de balançar apenas o pote

Os alunos com médio comprometimento:
- brincavam lentamente com as bolinhas na caixa
- misturava as cores, aos poucos na caixa
- montaram as garrafinhas



Aluno espalha calmamente e sente o geladinho das bolinhas


Aluno enche a garrafinha com as bolinhas
Aluno enche a garrafinha


Os alunos com baixo comprometimento:
- colocavam as bolinhas na caixa bem lentamente, uma por uma
- montaram figuras ( círculos, triângulos) e outros, com as bolinhas na caixa


Aluno arruma as bolinhas
Aluno faz desenho na base utilizando as bolinhas


Aluno ajeita as bolinhas para formar um triângulo

2 comentários:

  1. Marciele,.estive pesquisando sobre autismo e achei o seu trabalho.Como não estive no congresso do ano passado, não sabia que vc trabalhava com crs autistas. Gostei muito. Recebi uma criança no consultório com possível diagnóstico de autismo.Mas acredito que não seja. Estou trabalhando toda essa parte de tato, oralidade...na verdade tudo que foi mostrado acima, pois senti que deveria começar por aí com a criança, que tem 4 aninhos. Parabéns ,bjs

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  2. tereza cristina daud,o comentario acima é meu.

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