quinta-feira, 22 de maio de 2014

Prefeitura começa a avaliar dados de programa para dependentes

Jornal Folha de S. Paulo - ARETHA YARAK STEFANIE SILVEIRA DE SÃO PAULO

A Prefeitura de São Paulo deu início nesta segunda-feira(19) ao cruzamento de dados das secretarias de Saúde e da Assistência Social sobre os dependentes químicos da cracolândia que integram o programa "Braços Abertos". Na sequência, as equipes devem decidir quais os usuários que, de fato, podem ser desligados do programa por não comparecerem ao trabalho.
O desligamento, explica a prefeitura, será o último recurso. Antes, eles passarão por uma avaliação.
O prefeito Fernando Haddad (PT) afirmou na manhã desta segunda que cerca de 70 usuários não têm comparecido ao trabalho nem uma hora por semana. Esses usuários deverão ser chamados pela prefeitura para uma avaliação. Se constatado que a ausência é injustificada, eles serão encaminhados para outros projetos assistenciais do município.
Serão excluídos os participantes que não comparecem às equipes de varrição e de jardinagem e não apresentaram justificativas formais para isso. Aqueles que tiverem problemas de saúde e familiares graves, e que são acompanhados pelas equipes da prefeitura, devem continuar no projeto.
Haddad chegou a afirmar, nesta segunda, que a prefeitura não iria desligar os usuários de crack.
"Há cerca de 70 pessoas que não estão trabalhando nenhuma hora por semana. O que se pediu na última reunião é que fosse feita uma avaliação médica especificamente dessas pessoas. Normalmente é feito o acompanhamento médico de todos, mas a nossa preocupação com esses é um pouco maior para saber o que de fato está acontecendo. Se não estão participando das frentes de trabalho por razões de saúde, se não estão operando na frente de trabalho, mas estão alojados ou se estão com práticas que não são condizentes com o programa."
Segundo o prefeito, houve um caso em que um dos beneficiários do programa foi preso porque estava atuando junto a traficantes de drogas. Por isso, há a necessidade de acompanhar os casos um a um.
"Nós vamos primeiro aguardar a avaliação médica e fazer uma avaliação caso a caso para saber se é preciso um outro tipo de abordagem, para saber se é preciso um outro tipo de tratamento para a pessoa em específico."
De acordo com o prefeito, cerca de 40 participantes do programa já estão aptos a trabalhar com carteira assinada e possuem empresários interessados em oferecer oportunidades aos dependentes químicos.
Dos 399 participantes do programa, 318 estão trabalhando em alguma medida, não as 20h por semana como é requisito, mas "de acordo com as suas possibilidades inclusive de saúde, física e mental", segundo Haddad.
"Você não pode, sob pena de comprometer o programa, expor as pessoas a um tipo de pressão que o trabalhador em geral recebe no seu dia a dia porque ele está gozando de plena saúde. Não é o caso daquelas pessoas."
"BRAÇOS ABERTOS"
Lançado em janeiro deste ano, o programa "Braços Abertos" da prefeitura oferece R$ 15 por dia de trabalho a usuários da região da cracolândia. Além do pagamento, eles também recebem hospedagem em quartos de hotel, alimentação e tratamento médico e psicológico.
Na última semana, o programa recebeu o Prêmio Carrano de Luta Antimanicomial e Direitos Humanos, em São Paulo. O prêmio foi criado em 2009 e é organizado pelo coletivo Gato Seco que atua por mudanças nas condições de tratamento de pessoas em sofrimento mental.

fonte:http://www.uniad.org.br/desenvolvimento/index.php/blogs/dependencia-quimica/21542-prefeitura-comeca-a-avaliar-dados-de-programa-para-dependentes

O poder do método científico

mageonline com

O método científico consiste em observar algum fenômeno, levantar hipóteses para explicar o mesmo, realizar experimentos para testar as hipóteses, e com base nos resultados confirmar ou não as mesmas.  O método é tão poderoso que vai além da ciência: firmas de consultoria prospectam novos funcionários entre Ph.D.’s de qualquer área, não por causa de seu conhecimento específico, mas sim porque, por definição, os doutores aprenderam a resolver problemas baseando-se em evidências.  Parece óbvio, mas é impressionante o quanto se é decidido ou concluído baseando-se em “impressões”, “sensações”, “senso-comum”, ou “experiência própria”…
Todo esse preâmbulo para eu falar de um estudo muito impressionante sobre as consequências do uso contínuo de maconha no Q.I..  Por favor, usuários, não se irritem nem se sintam pessoalmente agredidos pelo estudo – não há ideologia, é pura ciência.  A mesma ciência que nos mostrou que fumar aumenta o risco de câncer de pulmão e de doença cardíaca, que alto colesterol e pressão alta aumentam o risco de doença cardíaca e derrame, que obesidade aumenta e exercício diminui o risco de doença cardíaca.  Tudo muito óbvio para o homem contemporâneo, mas no início dos anos 1950 nada disso era conhecido – fumávamos, bebíamos e comíamos sem nos dar conta do que estávamos fazendo com nossa saúde.
Foi acompanhando por décadas mais de 5 mil adultos na cidade de Framingham, nos EUA, que chegamos a essas conclusões.  Os participantes do Estudo de Framingham  eram submetidos a entrevistas médicas detalhadas, exames físicos e laboratoriais a cada 2 anos, gerando uma enorme quantidade de dados epidemiológicos que permitiram identificarmos todos aqueles fatores de risco para nossa saúde.
Ora, numa época em que debatemos intensamente a legalização de novas drogas, o que tornaria a maconha mais acessível a jovens, é fundamental sabermos no que estamos nos metendo em termos da nossa saúde.  E apesar de eu ter amigos queridos, maravilhosos, felizes, bem sucedidos e geniais consumidores assíduos de maconha, isso não prova que ela é inócua – vamos às evidências científicas.
Existem vários trabalhos associando o uso regular da maconha com um pior desempenho em testes neuropsicológicos. Porém, em geral os estudos comparam um grupo de usuários da droga com outro de não usuários. Mas como não sabemos qual era o Q.I. do pessoal do primeiro grupo antes de começarem a fumar maconha, não sabemos se estamos comparando grupos de pessoas semelhantes que diferem somente no quesito uso de maconha, ou se originalmente um grupo era menos inteligente do que o outro.
Para resolver isso, cientistas da Nova Zelândia usaram uma estratégia equivalente à do Estudo de Framingham, acompanhando 1.037 indivíduos desde o nascimento até os 38 anos de idade – o Estudo de Dunedin.  Agora sim eles poderiam acompanhar a evolução do Q.I. de cada participante ao longo de sua vida, e ver o que acontece com aqueles que usam drogas versus os que não usam ao longo dos anos.  O consumo de maconha (pelo menos 4 dias por semana) foi determinado aos 18, 21, 26, 32 e 38 anos de idade, e os testes neuropsicológicos foram feitos aos 13 anos, antes do uso de maconha, e aos 38 anos.  Como os participantes tinham Q.I.´s diferentes, o parâmetro medido foi a variação de Q.I. ao longo do período.
O estudo mostrou que entre os 13 e os 38 anos, enquanto os “caretas” tiveram uma pequena alta de Q.I., os consumidores tiveram declínio de Q.I., sendo que aqueles que usaram maconha por mais tempo tiveram o maior declínio de Q.I.. O estudo é bem rigoroso, e controla para outros fatores como escolaridade, consumo de álcool ou outras drogas, e esquizofrenia, que possam influenciar nas diferenças de Q.I. . Mesmo assim, o grupo consumidor assíduo tem um declínio de Q.I., enquanto o outro grupo não.
Mas esse déficit de Q.I. é importante, tem algum impacto na vida do consumidor, ou é só uma curiosidade matemática? Para avaliar isso, cada participante elegeu “pessoas que os conheciam bem”, que responderam questionários sobre memória e atenção de seus amigos.  E de fato, segundo a avaliação dos amigos, os que consumiam maconha tinham muito mais problemas de memória e atenção, e quanto maior o consumo, maiores os problemas.
Outro objetivo do estudo foi avaliar se esses efeitos da maconha eram mais acentuados em adolescentes.  O cérebro do adolescente está em intensa atividade de desenvolvimento, e por isso pode ser mais suscetível aos efeitos tóxicos das drogas. De fato, entre os consumidores assíduos de maconha, aqueles que começaram na adolescência tiveram um maior declínio em Q.I. do que os que começaram na vida adulta (8 pontos!)…
OK, estou convencido, vou parar de fumar, tudo bem?  Se você começou na adolescência, tudo médio… O estudo mostrou que aqueles que fumavam desde a adolescência ainda apresentavam declínio de Q.I. mesmo tendo diminuído o consumo drasticamente (de 365 para 6 dias por ano) no último ano.
Em conclusão, o uso contínuo de maconha por 20 anos foi associado a um déficit neuropsicológico, que aumenta com o aumento do consumo.  Esse efeito está mais concentrado naqueles que começam o uso na adolescência, e é notado por pessoas próximas.  E talvez mais grave, o déficit de funções cognitivas naqueles que começaram o uso da maconha na adolescência persiste por pelo menos um ano após o cessar do consumo.
Q.I. é parâmetro de felicidade? Não sei. O que cada um quer fazer com essas informações, faz parte de seu livre arbítrio. Todos nós sabemos os efeitos nocivos de tantas coisas que teimamos em consumir, e a decisão individual é uma equação complexa de custos e benefícios muito particulares. Mas quando estamos falando de políticas públicas, que vão afetar toda a sociedade, sim, é fundamental nos valermos de evidências científicas para elaborar regras que protejam a saúde da nossa população.  Como discuti em meu outro artigo (Mamãe, droga é bom?), política pública é outra equação bem complexa, e esse efeito da maconha no cérebro dos jovens é um de seus fatores, a meu ver com um peso importante.
Leia mais em: Persistent cannabis users show neuropsychological decline from childhood to midlife. PNAS, 27 de Agosto, 2012.

http://www.uniad.org.br/desenvolvimento/index.php/blogs/dependencia-quimica/21547-o-poder-do-metodo-cientifico

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Personas con autismo explicarán cuadros del Museo Sorolla en el Día de los Museos


Foto: Asociación Argandini
Foto: Asociación Argandini
Irene, Raúl y Nacho son tres adolescentes con autismo que van a vivir de manera muy especial el Día Internacional de los Museos, al convertirse por unas horas (de 11:30 a 13:30) en guías que explicarán algunas de las obras del Museo Sorolla.
La actividad forma parte del programa Hablando con el arte que la Asociación Argadini y la Fundación Orange vienen desarrollando en distintos museos para tratar de acercar la cultura y al arte a las personas con trastornos del espectro del autismo (TEA), realizando visitas a diferentes museos y a través de trabajos creativos partiendo de lo percibido en esas visitas.
El domingo 18, cada uno de los tres alumnos explicarán al público los cuadros: El baño del caballo y La hora del baño, Valencia, además de dar a conocer el significado y los matices de las obras.
La enriquecedora experiencia es una iniciativa integradora y novedosa, más aún en un ámbito, como el del autismo, donde los problemas de comunicación social son una de sus señas de identidad. Sin embargo, en un día el Día Internacional de los Museo, con las puertas de los museos abiertas y con numeroso público, los tres alumnos podrán desarrollar su tarea de guías con total normalidad.
Hablando con el arte se sitúa en un escenario inédito hasta ahora, porque centra su trabajo en la intervención de las personas con TEA y proporciona una nueva visión de ellas en tres grandes ámbitos:
-El ámbito de la interpretación artística; con la peculiar lectura que estas personas realizan del mundo pictórico.
-El ámbito de la calidad de vida; comprobando de qué manera el arte también ayuda a estas personas en la realización de sus sueños y en su bienestar personal.
-La producción artística; los alumnos reproducen y versionan las obras de arte que trabajan en los museos, así como llevan a cabo sus propias obras partiendo de la experiencia de sus visitas.

fonte: http://autismodiario.org/2014/05/13/personas-con-autismo-explicaran-cuadros-del-museo-sorolla-en-el-dia-de-los-museos/